Rodrigo Gonçalves Pimentel

O patrimônio familiar está preparado para uma geração que pensa diferente? Com o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel

O advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel identifica que uma das maiores transformações enfrentadas atualmente pelas famílias empresárias não está necessariamente relacionada à economia, à tecnologia ou ao ambiente regulatório. Em muitos casos, a mudança mais significativa acontece dentro da própria família, impulsionada por uma nova geração que possui expectativas, prioridades e visões de mundo bastante diferentes das que orientaram a construção do patrimônio.

Durante décadas, era comum que filhos e netos assumissem naturalmente a continuidade dos negócios familiares. A sucessão era vista como um caminho esperado, muitas vezes definido ainda nos primeiros anos de convivência com a empresa. Hoje, entretanto, esse cenário vem se tornando mais complexo. Os herdeiros possuem acesso a novas oportunidades, carreiras diversificadas e perspectivas que nem sempre estão alinhadas ao modelo tradicional das empresas familiares.

Essa transformação tem levado muitas famílias a refletirem sobre uma questão estratégica: o patrimônio construído ao longo de décadas está preparado para ser administrado por pessoas que enxergam o mundo de maneira diferente?

A nova geração não necessariamente quer seguir o mesmo caminho

Uma das mudanças mais perceptíveis está relacionada à forma como os sucessores enxergam sua participação nos negócios familiares.

Se gerações anteriores frequentemente associavam o legado familiar à continuidade direta da operação empresarial, muitos herdeiros atuais demonstram interesse por trajetórias mais independentes. Alguns optam por atuar em setores completamente diferentes, enquanto outros priorizam projetos pessoais, empreendedorismo ou atividades ligadas à inovação e ao impacto social.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Na visão de Rodrigo Gonçalves Pimentel, essa realidade não representa falta de comprometimento com o patrimônio familiar. Na verdade, ela reflete uma mudança de comportamento observada em diversos segmentos da sociedade, marcada pela valorização da autonomia e da construção de projetos de vida próprios.

No entanto, o desafio passa a ser encontrar formas de integrar essas diferentes visões sem comprometer a continuidade patrimonial.

O conceito de legado está mudando

Outro aspecto importante é a transformação do próprio conceito de legado. Durante muito tempo, a ideia de herança esteve fortemente associada à transferência de empresas, imóveis e participações societárias.  No cenário atual, porém, muitas famílias começam a perceber que legado envolve também valores, conhecimento, cultura de governança e capacidade de tomada de decisão.

Nesse contexto, preparar sucessores não significa apenas transferir ativos ou participação societária. Significa criar condições para que as futuras gerações compreendam a história da família, os objetivos do patrimônio e os princípios que orientaram sua construção. Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, destaca que patrimônios multigeracionais tendem a depender cada vez mais da qualidade desse processo de preparação.

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Quando diferentes gerações convivem na mesma estrutura

A convivência entre gerações com visões distintas pode gerar oportunidades importantes, mas também desafios relevantes. Enquanto fundadores costumam valorizar estabilidade, preservação e continuidade dos modelos que geraram sucesso, os sucessores frequentemente demonstram interesse por inovação, diversificação e novas formas de investimento.

O advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel frisa que essas diferenças não precisam ser encaradas como obstáculos. Pelo contrário, quando administradas de maneira adequada, podem contribuir para decisões mais equilibradas e para a adaptação do patrimônio às mudanças do ambiente econômico. Por esse motivo, cresce a importância de mecanismos capazes de promover diálogo estruturado entre as diferentes gerações.

O papel da governança familiar nesse processo

A evolução dos perfis familiares tem impulsionado a adoção de estruturas de governança mais sofisticadas. A saber, conselhos familiares, protocolos de governança e fóruns permanentes de discussão ajudam a criar espaços para que expectativas sejam compartilhadas e decisões sejam tomadas de forma organizada.

Esses mecanismos também contribuem para reduzir conflitos decorrentes de interpretações diferentes sobre o papel de cada integrante da família dentro da gestão patrimonial ou empresarial. Conforme Rodrigo Gonçalves Pimentel aponta, mais do que estabelecer regras, a governança passa a funcionar como uma ferramenta de alinhamento entre passado, presente e futuro.

O futuro do patrimônio depende da capacidade de adaptação

As transformações observadas entre as novas gerações indicam que a continuidade patrimonial dificilmente será construída a partir das mesmas fórmulas utilizadas no passado.

O advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel ressalta que patrimônios preparados para atravessar gerações são aqueles capazes de combinar preservação e adaptação. Em vez de exigir que os sucessores reproduzam exatamente os modelos adotados pelos fundadores, famílias empresárias têm buscado estruturas que permitam incorporar novas perspectivas sem perder sua identidade. 

Em um ambiente econômico e social em constante transformação, a perpetuidade patrimonial pode depender menos da repetição de antigas estratégias e mais da capacidade de construir pontes entre diferentes gerações, visões e formas de pensar o futuro.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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