Comunicação assertiva com neurodivergentes é um dos pilares para relações mais saudáveis no ambiente familiar e escolar. Logo no início dessa reflexão, vale destacar que, como observa Alexandre Costa Pedrosa, dificuldades de comunicação raramente estão ligadas à falta de interesse ou capacidade, mas a diferenças na forma de processar linguagem, emoções e contextos sociais. Quando essas diferenças não são compreendidas, surgem ruídos que afetam vínculos, aprendizado e autoestima.
Nesse cenário, desenvolver uma comunicação clara, respeitosa e previsível se torna essencial. Tanto em casa quanto na escola, ajustes simples na forma de falar, ouvir e reagir fazem grande diferença no bem-estar de crianças e adultos neurodivergentes.
O que significa comunicação assertiva em contextos neurodivergentes
A comunicação assertiva envolve expressar ideias e necessidades com clareza, ao mesmo tempo em que se respeita o outro. Na visão de profissionais da neuroeducação, esse tipo de comunicação reduz conflitos e fortalece a cooperação. Em pessoas neurodivergentes, entretanto, nuances implícitas, ironias ou mensagens ambíguas podem gerar confusão.
Sob a ótica de Alexandre Costa Pedrosa, cérebros neurodivergentes tendem a responder melhor a mensagens objetivas, diretas e contextualizadas. Isso não significa comunicação fria, mas sim estruturada. Quando o interlocutor sabe exatamente o que se espera dele, a ansiedade diminui e a resposta tende a ser mais adequada.
Barreiras comuns na comunicação familiar e escolar
Em muitos lares e instituições de ensino, a comunicação acontece de forma automática, baseada em pressupostos sociais. Contudo, como analisa Alexandre Costa Pedrosa, essas expectativas implícitas costumam ser uma das maiores barreiras para neurodivergentes. Expressões vagas como “se comporte melhor” ou “preste atenção” raramente produzem o efeito desejado.
Além disso, o excesso de linguagem emocional em momentos de estresse pode sobrecarregar o sistema nervoso. Quando isso ocorre, a pessoa pode se fechar, reagir de forma intensa ou simplesmente não responder. Assim, a dificuldade não está na vontade de cooperar, mas na forma como a mensagem chega.
Estratégias práticas para uma comunicação mais clara
A clareza é o primeiro passo para uma comunicação assertiva. Em sua experiência com famílias e escolas, Alexandre Costa Pedrosa destaca a importância de frases curtas, com um objetivo por vez. Ao invés de múltiplas instruções, comunicar uma ação específica facilita a compreensão.

Outro ponto relevante envolve o uso de linguagem concreta. Sempre que possível, exemplos práticos ajudam a traduzir conceitos abstratos. Isso é especialmente importante no ambiente escolar, onde regras sociais nem sempre são explícitas.
A previsibilidade também exerce papel central. Avisar sobre mudanças de rotina, explicar o que vai acontecer e por quanto tempo reduz a sensação de insegurança. Com isso, o neurodivergente se sente mais preparado para interagir e responder.
Escuta ativa e validação emocional
Comunicar não é apenas falar, mas ouvir com atenção. Na avaliação de Alexandre Costa Pedrosa, a escuta ativa é uma das ferramentas mais subestimadas no convívio com neurodivergentes. Muitas vezes, comportamentos desafiadores são tentativas de comunicação que não foram compreendidas.
Validar emoções não significa concordar com tudo, mas reconhecer o sentimento do outro. Frases que demonstram compreensão ajudam a regular o estado emocional e abrem espaço para o diálogo. Quando a pessoa se sente ouvida, a defensividade tende a diminuir.
Comunicação assertiva como ferramenta de inclusão
No ambiente escolar, a comunicação assertiva favorece a inclusão e o aprendizado. Professores que explicam expectativas de forma clara e estruturada criam um espaço mais acessível para todos. Em casa, esse mesmo princípio fortalece vínculos e reduz conflitos desnecessários.
Com o tempo, estratégias consistentes ensinam habilidades sociais de maneira natural, sem imposições excessivas. Assim, a comunicação deixa de ser fonte de tensão e passa a ser um recurso de conexão.
Ao compreender que a neurodivergência envolve formas diferentes de perceber e responder ao mundo, família e escola ampliam sua capacidade de acolher. Dessa maneira, a comunicação assertiva se transforma em um instrumento poderoso para promover respeito, autonomia e desenvolvimento emocional.
Autor: Friedrich Nill
