Escolha de presentes entra no radar dos assistentes de IA durante a temporada de compras

Redação Kwai Brasil
By Redação Kwai Brasil

A temporada de compras de fim de ano pode marcar uma mudança na forma como parte dos consumidores encontra ideias para presentear. Em vez de depender apenas de buscas tradicionais, anúncios ou vitrines virtuais, 34% dos consumidores dos Estados Unidos afirmam estar dispostos a usar inteligência artificial generativa para receber recomendações de presentes. O dado foi divulgado pelo Gartner em 7 de outubro de 2026.

O levantamento coloca os assistentes baseados em IA mais perto de uma etapa decisiva da jornada de compra: a escolha do produto. A tecnologia pode ser usada pelo consumidor para organizar possibilidades conforme a ocasião, o perfil de quem receberá o presente ou outras preferências informadas durante a interação. O anúncio, porém, não indica que a maioria dos consumidores já utilize esse recurso, nem apresenta o comportamento do público brasileiro.

Recomendação passa a disputar espaço com a busca tradicional

A principal consequência do dado é a possibilidade de a inteligência artificial deixar de atuar apenas como uma ferramenta de apoio e passar a funcionar como uma intermediária entre pessoas e produtos. Ao receber um pedido em linguagem natural, um sistema generativo pode reunir alternativas e apresentar uma seleção mais próxima do contexto descrito pelo usuário.

Essa dinâmica é diferente da simples exibição de uma lista de resultados. O consumidor pode procurar uma solução para uma ocasião específica, pedir opções dentro de determinado orçamento ou buscar algo relacionado aos interesses de outra pessoa. A IA generativa, nesse cenário, organiza a descoberta com base nas informações fornecidas na conversa, embora a pesquisa do Gartner não detalhe quais ferramentas seriam usadas nem como as recomendações seriam apresentadas.

Para o público que acompanha tendências de tecnologia e redes sociais, o movimento também ajuda a explicar por que a descoberta de produtos está se tornando cada vez mais dependente de experiências digitais personalizadas. A influência não ocorre somente no momento final da compra: ela começa quando o consumidor tenta transformar uma necessidade ampla em uma escolha concreta.

O que muda para marcas e profissionais de marketing

A possível adoção de recomendações generativas cria uma preocupação prática para empresas: ser encontrado por um assistente de IA pode exigir mais do que investir em publicidade. As marcas precisarão manter informações claras e consistentes sobre seus produtos, incluindo características, preços, disponibilidade e condições comerciais, sempre que esses dados forem relevantes para a decisão de compra.

Reputação digital e avaliações de consumidores também podem ganhar importância nesse processo. Quando uma pessoa pede sugestões, a confiança na opção indicada depende não apenas da descrição do item, mas também da percepção de qualidade, da presença da marca e da clareza das informações disponíveis. O levantamento não afirma que esses fatores já determinem as respostas dos sistemas, mas aponta um cenário em que a organização dos dados se torna estratégica para o varejo.

Esse contexto aproxima comércio eletrônico, conteúdo e inteligência artificial. Empresas que produzem materiais explicativos, páginas completas de produtos e respostas para dúvidas frequentes podem oferecer informações mais úteis ao público e facilitar a compreensão de suas ofertas. A recomendação, contudo, não substitui a avaliação do consumidor: preço, entrega, política de troca e adequação do presente continuam sendo aspectos que precisam ser conferidos antes da compra.

O dado é dos Estados Unidos, não do Brasil

O percentual divulgado pelo Gartner se refere aos consumidores dos Estados Unidos. Por isso, ele não deve ser tratado automaticamente como uma retratação do comportamento de quem compra no Brasil. Diferenças de mercado, acesso a serviços digitais, hábitos de consumo e confiança em ferramentas de IA podem influenciar a adoção em cada país.

Ainda assim, o resultado oferece um sinal relevante para empresas brasileiras que acompanham a transformação das buscas e da personalização digital. A disposição de uma parcela expressiva do público norte-americano em receber recomendações generativas mostra que a inteligência artificial já começa a ser considerada em uma tarefa cotidiana e emocionalmente ligada ao consumo: escolher um presente para outra pessoa.

O próximo passo para as marcas não é apenas mencionar o uso de IA em campanhas, mas entender como seus produtos aparecem em ambientes de resposta. Isso envolve revisar informações, fortalecer a presença digital e observar de que maneira os consumidores formulam perguntas e comparam alternativas. A pesquisa do Gartner não prevê quando essa mudança se consolidará nem como ela evoluirá, mas registra uma abertura concreta para que assistentes generativos participem da jornada de compras de fim de ano.

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