O setor de proteção veicular no Brasil projeta atrair até oito milhões de novos veículos nos próximos anos, um salto próximo de trinta por cento na frota protegida do país. O número reflete um mercado que, depois da regulamentação recente pela Superintendência de Seguros Privados, deixou a informalidade para trás. Estimativas do setor apontam que cerca de setenta por cento da frota brasileira ainda circula sem cobertura, lacuna que inclui boa parte dos veículos usados por empresas no dia a dia.
Entre as empresas com carros, motos ou caminhões circulando todos os dias, esse movimento chama atenção especial. David do Prado, vendedor com mais de dez anos de experiência no setor automotivo e proteção veicular, indica que gestores de frota empresarial passaram a procurar ativamente alternativas de proteção com mensalidade mais previsível.
O que mudou com a nova regulamentação do setor?
Até pouco tempo, associações de proteção veicular operavam amparadas apenas pelo direito constitucional de livre associação, sem fiscalização específica de um órgão regulador. Isso gerava insegurança em empresas que dependiam de veículos para funcionar: um departamento jurídico corporativo costuma exigir clareza sobre quem responde por um sinistro mal resolvido, e o modelo associativo, sem supervisão formal, deixava essa resposta em aberto.
Com a supervisão da SUSEP sobre as associações, o cenário mudou. Mais de duas mil entidades já concluíram o cadastro obrigatório previsto na nova legislação, o que trouxe critérios mais claros de governança e transparência financeira, exatamente o tipo de exigência que departamentos de compras corporativos costumam levar em conta antes de fechar contrato. Passou a existir um órgão que fiscaliza, recebe reclamação e pode intervir, algo que antes não fazia parte da equação.
Por que frotas empresariais viraram alvo do setor?
Empresas com múltiplos veículos enfrentam um problema que motoristas individuais sentem menos: qualquer veículo parado por sinistro afeta diretamente a operação, seja uma entrega atrasada, seja um técnico que não chega ao cliente. Um furgão parado três dias para reparo não é só um transtorno pessoal, é uma rota inteira sem cobertura naquele período. Previsibilidade financeira e agilidade na resolução de imprevistos pesam mais nesse contexto do que o preço isolado da mensalidade.

David do Prado observa que o modelo associativo tende a reduzir o custo fixo por veículo em comparação ao seguro tradicional, o que se torna mais relevante quanto maior o número de carros na frota. Uma diferença de algumas dezenas de reais por veículo, insignificante isoladamente, transforma-se em economia mensal considerável quando multiplicada por dez, vinte ou cinquenta unidades. Para negócios que giram em torno de entrega ou transporte de mercadorias, essa diferença entra direto no planejamento financeiro da operação.
O que muda na prática para quem gerencia veículos de trabalho?
Gerenciar uma frota exige mais do que contratar proteção individual para cada carro. Envolve centralizar informações, negociar condições por volume e garantir que a substituição de um veículo avariado não pare a operação por dias. Um gestor que lida com dez apólices diferentes, cada uma com data de vencimento e regras próprias, perde tempo que poderia estar em outra parte do negócio. Associações que atendem empresas vêm ajustando processos para dar conta dessa lógica de escala.
A Aproest Proteção Veicular, segundo David do Prado, tem recebido cada vez mais consultas de pequenas e médias empresas interessadas em migrar frotas inteiras para o modelo de proteção patrimonial mutualista, atraídas pela combinação de custo menor e prazo de atendimento mais rápido em comparação às seguradoras tradicionais.
Para onde caminha a proteção de frotas nos próximos anos?
O próximo passo do setor, segundo analistas do mercado, é a expansão para segmentos que ainda concentram grande parte da frota desprotegida, incluindo veículos pesados e motocicletas usadas para trabalho. Caminhões de pequeno porte e motos de entrega, categorias que crescem junto com o comércio eletrônico, seguem entre as mais expostas a roubo e acidente, sem nenhum tipo de cobertura.
Para quem depende de veículos para manter o negócio funcionando, entender essa transformação deixou de ser um detalhe operacional. Tornou-se parte da estratégia financeira de qualquer empresa que não pode se dar ao luxo de parar por causa de um imprevisto no trânsito.
