Kwai lidera o boom dos microdramas no Brasil e vira alternativa à novela das 21h

Ellen Sundalen
By Ellen Sundalen

TeleKwai já soma 60 bilhões de visualizações em produções verticais e ajuda a explicar por que o mercado de novelinhas deve movimentar US$ 14 bilhões em 2026

O celular está disputando, cena a cena, o espaço que antes pertencia exclusivamente à televisão aberta. Os microdramas, também chamados de novelas verticais ou novelinhas, viraram um dos fenômenos de entretenimento mais comentados do Brasil em 2026, e o Kwai está no centro desse movimento. Segundo o projeto TeleKwai, iniciativa da plataforma dedicada a incentivar a criação de dramas curtos seriados, as produções verticais já somam 60 bilhões de visualizações somente dentro do aplicativo.

O apetite do público brasileiro por esse tipo de conteúdo tem se traduzido diretamente em dinheiro. De acordo com a consultoria Omdia, o mercado global de minidramas movimentou cerca de US$ 11 bilhões em 2025, com expectativa de chegar a US$ 14 bilhões até o fim de 2026, sendo aproximadamente US$ 3 bilhões vindos de fora da China, principalmente dos Estados Unidos e da América Latina. Só no primeiro semestre deste ano, Globo, TikTok, Abril e produtoras independentes lançaram plataformas próprias ou anunciaram investimentos no formato.

Como o Kwai se tornou protagonista do formato no país

O formato de microdrama chegou ao Brasil em setembro de 2024, com a transmissão do dramalhão chinês “Me Leva Para Casa”, composto por 24 capítulos de apenas dois minutos, veiculados justamente em redes sociais como TikTok e Kwai. A partir daí, o consumo desse tipo de história se espalhou rapidamente, abrindo caminho para produções nacionais e consolidando o Kwai como uma das principais vitrines do gênero no país, através do projeto batizado de TeleKwai.

Dentro dessa iniciativa, o Kwai passou a incentivar produtores latino-americanos a criar dramas curtos seriados, com episódios de um a dois minutos marcados por reviravoltas dramáticas, vilões exagerados e lições de moral ao final de cada capítulo. O modelo lembra diretamente a estrutura clássica do folhetim brasileiro, adaptada para a linguagem vertical do celular. Não à toa, criadores como a ex-bailarina Markelly Oliveira ganharam notoriedade dentro da plataforma, tornando-se conhecida como a “Rainha do Kwai” ao reunir milhões de seguidores com suas novelinhas.

A força do formato também atraiu grandes marcas para dentro das tramas. Entre 2023 e 2024, a produtora Endemol Shine Brasil já havia produzido mais de dez microdramas em parceria com o Kwai, contemplando nove marcas diferentes dentro do programa de mini dramaturgias do TeleKwai, entre elas Sorriso, Coca-Cola, PagBank e Honda. Em 2026, a empresa firmou nova parceria com a produtora A Fábrica para ampliar ainda mais esse tipo de produção patrocinada dentro do universo das novelas verticais.

O que essa disputa representa para o público brasileiro

O crescimento dos microdramas não fica restrito ao Kwai. Concorrentes como o ReelShort, responsável pela produção nacional “A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário”, e o Globoplay, que oficializou sua própria linha de novelinhas em 2025, também disputam a atenção do espectador que passou a assistir histórias completas em poucos minutos, direto pela tela do celular. No início de 2026, o país ganhou ainda sua primeira plataforma nacional dedicada exclusivamente a esse tipo de produção, a Tele Tele, com foco em conteúdos originais brasileiros.

Esse cenário é favorecido por um ambiente digital já bastante conectado: o Brasil soma 183 milhões de pessoas com acesso à internet e 144 milhões de perfis ativos em redes sociais, segundo dados de 2025, o que cria terreno fértil para formatos curtos, pensados para prender a atenção do espectador logo nos primeiros segundos. Para efeito de comparação, o faturamento global dos microdramas ainda é pequeno perto do de gigantes do streaming, como a Netflix, que arrecadou US$ 45 bilhões em 2025, mas a trajetória de crescimento chama atenção: projeções apontam que o setor pode alcançar US$ 26 bilhões anuais até 2030.

Para quem acompanha o dia a dia das redes sociais, o avanço do Kwai nesse mercado confirma uma tendência que já vinha se desenhando desde a popularização dos vídeos curtos no país: o público brasileiro, historicamente apaixonado por novelas, encontrou no formato vertical uma nova forma de consumir esse tipo de história, agora adaptada ao ritmo e à linguagem do celular.

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